domingo, 18 de dezembro de 2011

Bacia de Itupararanga tem 359 quilômetros quadrados de áreas naturais ou em recuperação

Notícia publicada na edição de 18/12/2011 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 2 do caderno Caderno de Domingo
Giuliano Bonamim

As matas, campos sujos e capoeiras correspondem a 38,35% da bacia de Itupararanga. Isso equivale a 359 quilômetros quadrados de áreas naturais e em processo de recuperação. O cálculo é baseado em um estudo feito há 10 anos pela Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade de Sorocaba (Uniso), mas se mantém atualizado. Já os espaços urbanizados representam 7,66% dos 936,51 quilômetros quadrados da região.

O coordenador do curso de Gestão Ambiental da Uniso, Nobel Penteado de Freitas, fez parte desse estudo denominado "Caracterização geoambiental da bacia da represa de Itupararanga". O trabalho apresentou cinco atividades antrópicas referentes à ocupação humana - responsáveis por comprometer a qualidade ambiental do local. A lista inclui os loteamentos que desconsideram critérios ambientais em sua implantação (tratamento de esgotos, manejo do solo e desmatamento), a atividade de mineração, o uso intensivo de irrigação, a utilização indiscriminada de agrotóxicos e a falta de zoneamento territorial capaz de disciplinar o uso e a ocupação do solo.

Freitas ressalta a preocupação da intervenção humana na bacia de Itupararanga. "As medições feitas pela Cetesb mostram que a qualidade da água tem caído nos últimos anos, principalmente pela falta de tratamento de esgoto em cidades da região e pela utilização de agrotóxicos nas plantações às margens do lago", comenta.

O relatório foi baseado em uma pesquisa de campo, com um sobrevoo pela região e incursões por terra. Os pesquisadores presenciaram plantios intensivos próximos aos corpos de água sem a preocupação de práticas de conservação do solo. Também flagraram a irrigação de áreas agrícolas feita por meio do sistema de aspersão. Essa prática contribui para o assoreamento, eutrofização e contaminação por pesticidas.

Os estudos sobre Itupararanga continuam a ser desenvolvidos no âmbito acadêmico. Neste segundo semestre, a Área de Proteção Ambiental (APA) de Itupararanga foi tema de uma dissertação de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e Conservação (PPGDBC) do Centro de Ciências e Tecnologias para a Sustentabilidade, campus Sorocaba da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar). O trabalho foi defendido pela aluna Iara Bernardi, sob orientação do professor André Cordeiro Alves dos Santos, do Departamento de Biologia, e co-orientação do professor José Salatiel Rodrigues Pires, do Departamento de Hidrobiologia da Ufscar.

A dissertação fez uma análise da efetividade da APA Itupararanga quanto à manutenção da qualidade ambiental e à influência nas políticas públicas municipais, principalmente em relação aos planos diretores dos municípios que a compõem. Para desenvolver o estudo, Iara analisou os planos diretores municipais com o objetivo de verificar se a APA era incorporada ao planejamento municipal. Entrevistou também autores envolvidos no processo de elaboração destes planos e comparou os zoneamentos previstos no Plano Diretor com o zoneamento determinado no Plano de Manejo da APA, com a intenção de determinar as áreas conflitantes. Além disso, foram analisados outros indicadores como crescimento populacional, uso e ocupação do solo, crimes ambientais nos municípios, saneamento básico e qualidade e quantidade da água no reservatório.

A pesquisa concluiu que a criação da APA não foi efetiva para seu objetivo principal, ou seja, para a melhoria das condições ambientais da região. O professor André salienta que "a análise dos resultados indicou que a maioria das cidades não contemplou a APA Itupararanga nos seus Planos Diretores, seja porque não existia ainda o Plano de Manejo quando os planos diretores foram elaborados, seja porque houve falhas na transferência da realidade local para esses planos", explica.

O estudo apontou que cerca de 20% da área da APA têm conflitos entre os usos previstos pelos Planos Diretores e o uso permitido pelo Plano de Manejo da APA e sugeriu ações para melhorar a conservação ambiental da bacia do reservatório de Itupararanga, como a criação de Unidades de Conservação (UCs) mais restritivas em conjunto com a APA, como Estações Ecológicas ou Parques Estaduais, para conservação de fragmentos. Além disso, Iara sugeriu a revisão dos Planos Diretores (PDs) e dos Planos de Manejo (PMs), já que são muitos divergentes entre si. "Para esse trabalho, inclusive, destacou a importância de envolver a comunidade nessas formulações, junto com pequenos agricultores, proprietários de áreas rurais, casas de veraneio e empresas imobiliárias", conclui a pesquisadora.

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