Diário de Sorocaba
Corredor do Pronto-Atendimento - pacientes com fome e sede esperando atendimento (Foto: Fernando Rezende)
Na tarde de ontem pacientes e familiares se revoltaram por não ter
médicos para atender à população no PA de Votorantim. Agitadas, as
pessoas invadiram o corredor e os consultórios médicos da unidade
pedindo esclarecimentos sobre a demora no atendimento. A Polícia Militar
foi acionada para conter o tumulto e levar as pessoas de volta para a
área da recepção da unidade, que atende diariamente a 300 pessoas. Na
página do DIÁRIO no facebook (www.facebook.com/diariodesorocaba)
usuários deram suas opiniões sobre o novo local de atendimento,
inaugurado na última sexta-feira.
Os pacientes e acompanhantes que esperavam atendimento médico clínico e
pediátrico estavam no PA desde cedo. “Estou aqui desde as 8 da manhã com
febre e diarréia. Já passou das 14 horas e ainda não fui atendido”, diz
o tratador de animais Erick Prestes. Segundo contou, durante toda a
manhã e início da tarde, crianças choravam com fome e sede. Erick disse
que não havia água para beber durante duas horas.
Débora Cristina dos Reis Oliveira chorava com sua filha de dois anos nos
braços. “Eu entrei com a minha filha, que está com febre, e falei com a
médica. Ela me disse para 'calar a boca'. Eu só quero o atendimento
para a minha filha."
A cabeleireira Amanda Cássia dos Santos Dimas, que está grávida e foi
levar o filho de cinco anos ao PA, pois o garoto está com começo de
pneumonia, conta que também não foi respeitada. “Eu estou grávida. Estou
aqui desde às 7 da manhã e ninguém nos dá uma satisfação. Só disseram
que não tem médico; que eles não vieram”, conta.
Sueli Aparecida da Silva, desempregada, diz que o que acontece no PA é
uma vergonha e que a polícia no local foi desnecessária. “É preciso
chamar mais médicos para atender aos pacientes, e não acionar a polícia.
Ninguém aqui é bandido, só quer atendimento”, desabafa.
Depois que a PM tomou conta da porta de entrada para o corredor de
atendimento, a situação começou a voltar ao normal. Médicos chamavam os
pacientes aos poucos. A especialidade de pediatria realmente estava
desfalcada. “O médico clinico geral atenderá às crianças mais velhas
para poder desafogar o setor de pediatria e agilizar o atendimento”,
disse uma funcionária do posto com uma lista de nomes em mãos.
A Secretaria de Saúde manifestou-se afirmando que abriu nesta
segunda-feira (23) processo de sindicância para apurar as faltas
constantes e atrasos dos médicos plantonistas do Pronto-Atendimento
Central (PA). A unidade informou que na parte da manhã houve a falta de
um médico clínico geral e os outros três chegaram com atrasos de uma a
duas horas. Já na parte da tarde, os quatro médicos clínicos gerais
chegaram atrasados, e ainda houve falta de um pediatra e atraso de
outro.
Segundo a Secretaria, a unidade pediu apoio da Polícia Militar como
forma de acalmar os ânimos dos pacientes, e que não houve nenhum tipo de
agressão. Após a chegada dos médicos, o atendimento começou a ser
normalizado.
PRIORIDADE NOS ATENDIMENTOS
Na recepção do PA de Votorantim há um banner informando a prioridade nos atendimentos, que são sinalizados por cores:
- Vermelho: significa Emergência. É quando paciente corre risco eminente de morte e terá atendimento imediato.
- Amarelo: risco de descompensação. Neste caso o atendimento deve ser realizado preferencialmente em até 30 minutos.
- Verde: o atendimento é realizado por ordem de chegada.
- Azul: essa cor é designada para pacientes em condições especiais
previstas por lei. Idosos, gestantes e deficientes físicos serão
atendidos antes dos sinalizados em cor verde.

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