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terça-feira, 24 de abril de 2012

Falta de médicos revolta pacientes

 Diário de Sorocaba

Corredor do Pronto-Atendimento - pacientes com fome e sede esperando atendimento (Foto: Fernando Rezende)
 
 
Na tarde de ontem pacientes e familiares se revoltaram por não ter médicos para atender à população no PA de Votorantim. Agitadas, as pessoas invadiram o corredor e os consultórios médicos da unidade pedindo esclarecimentos sobre a demora no atendimento. A Polícia Militar foi acionada para conter o tumulto e levar as pessoas de volta para a área da recepção da unidade, que atende diariamente a 300 pessoas. Na página do DIÁRIO no facebook (www.facebook.com/diariodesorocaba) usuários deram suas opiniões sobre o novo local de atendimento, inaugurado na última sexta-feira. 

Os pacientes e acompanhantes que esperavam atendimento médico clínico e pediátrico estavam no PA desde cedo. “Estou aqui desde as 8 da manhã com febre e diarréia. Já passou das 14 horas e ainda não fui atendido”, diz o tratador de animais Erick Prestes. Segundo contou, durante toda a manhã e início da tarde, crianças choravam com fome e sede. Erick disse que não havia água para beber durante duas horas.

Débora Cristina dos Reis Oliveira chorava com sua filha de dois anos nos braços. “Eu entrei com a minha filha, que está com febre, e falei com a médica. Ela me disse para 'calar a boca'. Eu só quero o atendimento para a minha filha."

A cabeleireira Amanda Cássia dos Santos Dimas, que está grávida e foi levar o filho de cinco anos ao PA, pois o garoto está com começo de pneumonia, conta que também não foi respeitada. “Eu estou grávida. Estou aqui desde às 7 da manhã e ninguém nos dá uma satisfação. Só disseram que não tem médico; que eles não vieram”, conta. 

Sueli Aparecida da Silva, desempregada, diz que o que acontece no PA é uma vergonha e que a polícia no local foi desnecessária. “É preciso chamar mais médicos para atender aos pacientes, e não acionar a polícia. Ninguém aqui é bandido, só quer atendimento”, desabafa. 

Depois que a PM tomou conta da porta de entrada para o corredor de atendimento, a situação começou a voltar ao normal. Médicos chamavam os pacientes aos poucos. A especialidade de pediatria realmente estava desfalcada. “O médico clinico geral atenderá às crianças mais velhas para poder desafogar o setor de pediatria e agilizar o atendimento”, disse uma funcionária do posto com uma lista de nomes em mãos.    

A Secretaria de Saúde manifestou-se afirmando que abriu nesta segunda-feira (23) processo de sindicância para apurar as faltas constantes e atrasos dos médicos plantonistas do Pronto-Atendimento Central (PA). A unidade informou que na parte da manhã houve a falta de um médico clínico geral e os outros três chegaram com atrasos de uma a duas horas. Já na parte da tarde, os quatro médicos clínicos gerais chegaram atrasados, e ainda houve falta de um pediatra e atraso de outro.

Segundo a Secretaria, a unidade pediu apoio da Polícia Militar como forma de acalmar os ânimos dos pacientes, e que não houve nenhum tipo de agressão. Após a chegada dos médicos, o atendimento começou a ser normalizado.


PRIORIDADE NOS ATENDIMENTOS 

Na recepção do PA de Votorantim há um banner informando a prioridade nos atendimentos, que são sinalizados por cores: 

- Vermelho: significa Emergência. É quando paciente corre risco eminente de morte e terá atendimento imediato. 

- Amarelo: risco de descompensação. Neste caso o atendimento deve ser realizado preferencialmente em até 30 minutos. 

- Verde: o atendimento é realizado por ordem de chegada. 

- Azul: essa cor é designada para pacientes em condições especiais previstas por lei. Idosos, gestantes e deficientes físicos serão atendidos antes dos sinalizados em cor verde. 

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