Diário de Sorocaba
Para eles, o sucesso na profissão é pela qualidade dos produtos que oferecem
Produtos de qualidade são procurados pelos clientes (Foto: Fernando Rezende)
Acordar antes das 4 horas da manhã, montar barraca, carregar e
descarregar caixas e caixotes. Quando chega a casa ainda vai fazer
compras e administrar o setor financeiro. Esta é a rotina de um
feirante. Apesar de todo corre-corre, os profissionais gostam da vida
que levam e dizem que o melhor da profissão é conversar com pessoas e
fazer amigos.
Maria Isabel Rocha, 70 anos, trabalha neste ramo há mais 50. Com sua
família ao lado toca um negócio de venda batatas no Ceavo (Centro de
Abastecimento de Hortifrúti de Votorantim). “Já vendi milho por muito
tempo, mas agora vendemos batatas. Eu fico atendendo ao público e
fazendo os pacotes de 1 quilo. Meu marido e meu filho fazem as outras
coisas.” A senhora acredita que não trabalha, e sim, se diverte. “É um
lazer. Faço amizade com todo mundo e não pretendo parar. Só quando não
aguentar mais.”
O Ceavo atende a feirantes, supermercadistas e donos de restaurantes em
busca do melhor produto. Carlos Dellai é o gerente deste espaço, que
atende a 25 cidades da região. Ele vê mais de 400 pessoas por dia
transitando nos corredores da feira. Já trabalhou como feirante por sete
anos; vendia milho, mandioca, abobrinha e maracujá. “Era ótimo vender
direto para o consumidor, pois a remuneração era melhor, já que os
produtos são mais frescos e a clientela tem preferência pela qualidade.”
Dellai também destacou o laço de amizade e confiança que existe entre
freguês e feirante.
O gerente acredita que o ponto positivo da profissão é poder servir da
melhor forma o cliente. “O homem do campo sabe ofertar com qualidade
para o homem da cidade.” Para ele, o ponto negativo é que não há folgas
no trabalho. “Todo dia é dia. Faça chuva, sol ou frio, a barraca tem que
estar de pé.”
Uma dos motivos de Moisés Martins Fontes deixar a feira foi o cansaço.
“Trabalhei 25 anos como feirante e fui ficando velho; não aguentei
mais.” Hoje ele é vendedor de verduras no Ceavo e consegue ter uma renda
de R$ 6 mil por mês. “O dinheiro é variável. Tenho dez clientes fixos
que compram bem, mas porque ofereço produtos de qualidade.”
Para João Carlos Paes Leme, 41 anos, o sucesso do feirante é a qualidade
dos produtos oferecidos. “Ganho em média R$ 8 mil por mês, mas porque a
clientela procura meus produtos.” Ele contou que a família dele é de
feirantes. “Meus avós já plantavam e meus pais deram continuidade. Eu
nasci e cresci na feira.”
O comerciante acredita que a profissão não é valorizada e quer outro
futuro para seus dois filhos. “Tenho um filho de sete e outro de dois
anos. Quero que eles estudem e tenham uma profissão mais valorizada.”
Ele acorda às 3 horas da manhã e vai dormir tarde. Folga somente às
segundas-feiras, quando na verdade utiliza o tempo disponível para ir
até São Paulo comprar frutas no Ceagesp. Aos feriados também trabalha.
“Só Natal e Ano-Novo que tem descanso mesmo.”
“É uma profissão sofrida”, concorda a aposentada Filomena Ferraz. Ela
compra os hortifrútis que vão à mesa na feira livre da Vila Amélia.
“Aqui tem tudo fresquinho, a gente quem escolhe, não é como supermercado
que colocam mercadorias feias para os clientes.” Ela concorda que os
feirantes levam uma vida dura. “Acordam muito cedo, e montam a barraca
sem saber se vão vender bem ou não.”
BARRACA DO PASTEL - Virou regra ir à feira para comprar
qualquer produto e depois comer um pastel. Existem pessoas que só vão à
feira para saborear o salgado. São diversos sabores. Os tradicionais de
carne, queijo e pizza deram espaço no cardápio para os mais
sofisticados como bacalhau, carne-seca e o especial. Há também os doces -
banana, brigadeiro, prestígio e até sonho de valsa que se tornaram uma
deliciosa sobremesa.
O movimento nestas barracas, que ficam no início e final da feira, é
grande. Numa das barracas de pastel da feira da Vila Amélia são vendidos
em média duas mil unidades por dia. São quase 40 sabores diferentes e o
mais pedido é o de frango com catupiry.
Para a funcionária do comércio Natasha de Camargo, 23 anos, trabalhar na
feira é muito satisfatório. “Eu não me vejo trancada em um escritório.
Aqui eu converso e faço amigos o tempo todo. Só posso dizer que é muito
melhor do que trabalhar em uma loja ou escritório.”
A dona de casa Miriam de Oliveira Amaral confessou que em dias de feira o
prato servido no almoço é o pastel. “Não imagino a feira sem pastel. De
quarta, sexta e domingo venho aqui comer. Às vezes, nem compro nada,
mas passo na barraca.” O filho de Miriam, Braian, de apenas um ano e
seis meses, vai à feira junto com a mãe e ela contou que o menino tem o
gosto da maioria da clientela. “Ele adora frango com catupiry.”

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.