Maíra Fernandes
Ele é o convidado especial desta edição do projeto, que ocorre no Aquário Cultura em Votorantim
Só doido é jornalista! E a rotina de fechamento de edição, que é aquele desespero, afasta da viola - Por: Divulgação
O violeiro e contador de história Paulo Freire acredita no que prega a Associação Nacional dos Criadores de Saci (da qual faz parte): acontecimentos como o desmatamento, a luz elétrica e a aculturação têm contribuído para que a mitologia brasileira perca a força e o local que mantinha no imaginário popular em tempos de outrora. "Muitos mitos moram na sombra e hoje em dia tem muita luz acesa, não tem floresta e eu acho que a importação de mitos de outras culturas também ajudam a enfraquecer o mito brasileiro no imaginário das pessoas. Eu adoro Harry Potter, meus filhos assistiram todos, mas há tanta história aqui tão bacana quanto. Mas isso é uma questão cultural antiga, fico vendo a alegria da criança quando fica sabendo de uma história de algum mito brasileiro, pois é muito próximo dela, então acho que é uma questão de cutucar esses mitos", defende. Mas com autoridade de violeiro, contador de história e, acima de tudo, um apaixonado pela cultura e lendas do sertão, Paulo Freire entra cada dia mais de cabeça "nessa lida de fazer com que as pessoas redescubram a mitologia que existe na nossa terra" e apresenta seus causos e modas hoje, dentro da programação do projeto "Violas, Causos e Crendices", em Votorantim. A programação faz parte da VI Violeira e contará com convidados tocando, cantando e contando histórias e causos, sobre a "estrela da noite", a viola.
"Eu vou fazer um show tocando viola e contando causos, inspirado na mitologia brasileira. Eu vou contar histórias de alguns mitos como a Mula-sem-Cabeça, o Jurupari...", adianta Freire, que irá intercalar música e prosa. As canções serão de sua autoria e algumas do repertório da dupla Alvarenga e Ranchinho, que Freire muito aprecia por conta também do humor. Já as histórias que contará são aquelas que aprendeu "de ouvido", como dizem os mais velhos, e muitas delas ainda foi checar para se certificar se tal pessoa era ou tinha característica mesmo de Mula-sem-Cabeça, como o povo ficava assuntando. "Eu escuto uma história e muitas vezes vou checar para ver se é mesmo. Os mitos não existem à toa, têm uma função social muito séria, procuro entender e acabo contando a história da minha maneira, muitas vezes o caminho da história muda", assume Freire, que não grava as prosas e prefere confiar no ensinamento de seu pai, o psiquiatra, escritor e jornalista falecido em maio de 2008, Roberto Freire: "meu pai sempre educava a gente ouvindo criativamente", afirma.
Freire também já se enveredou pelos lados do jornalismo, antes de assumir o chamado da viola. "Só doido é jornalista! E a rotina de fechamento de edição, que é aquele desespero, afasta da viola", conta o bom de prosa que por seis meses esteve na editoria de variedades do extinto jornal Notícias Populares. Desses, três meses passou achando o máximo e, outros achando "o fim da picada". "Ao mesmo tempo que tinha algo que gostava, tinha também aquela coisa pesada. Pedi demissão umas cinco vezes e, na última, consegui. Me tomava tempo e o foco e para o jornalismo tem que se entregar", revela o violeiro, que foi levado até o instrumento a partir da leitura de "Grande Sertão: Veredas", de João Guimarães Rosa. "Quando percebi a musicalidade do texto dele, da fala daquele caboclo, aí eu embarquei totalmente de um jeito que queria descobrir qual era a música daquela linguagem", conta.
O "Violas, Causos e Crendices" contará ainda com apresentação do "Manducas de Fiuza", com o contador de histórias Zé Bocca e os músicos Marcos Boi e Maurício Toco, que serão os anfitriões da noite. Além de Paulo Freire, os convidados são a contadora de histórias Sandra Lane, acompanhada pelo violeiro Vilmar de Oliveira, de Belo Horizonte, e fechando a noite em grande estilo, o convidado e é o violeiro, contador de causos e pesquisador, Paulo Freire, de Campinas.
Serviço
O "Violas, Causos e Crendices", com participação especial de Paulo Freire, começa às 20h, no Aquário Cultura que está localizado à avenida Moacir Oséias Guitte, 41, ao lado da Praça de Eventos "Lecy de Campos". A entrada é gratuita e tem classificação etária livre. Mais informações pelo telefone (15) 3243-1191.

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