Gazeta de Votorantim
Benjamim Pesce

“Enquanto estiver com saúde, estarei aqui olhando os carros”
Foto: Benjamim Pesce
Faça chuva ou sol, ele está sempre lá, das oito até às 19 horas, durante a semana. Nos sábados, até às 15 horas. Se precisar, ele fica até mais tarde te esperando. Este é Marco Antônio Caetano, que há 15 anos cuida dos carros que ficam estacionados na rua Maria Augusta Balch, travessa da Rua Monte Alegre, no centro de Votorantim.
Sempre com um sorriso no rosto, o guardador conta que trata todos da mesma maneira, independentemente se lhe renderá gorjeta. “Não importa se a pessoa terá dinheiro ou não para me dar, cuido com a mesma dedicação. Se hoje ela não pode, na outra vez ela colaborará. Sempre estou com o mesmo sorriso no rosto. Se eu ficar de cara feia, no outro dia, a pessoa não volta”. Morador do bairro Vossoroca, tem que andar aproximadamente 35 minutos para chegar ao local. “Fico feliz mesmo tendo que enfrentar o mesmo trajeto pra ir embora. Nem preciso de academia com o tanto que eu ando diariamente. Enquanto estiver com saúde, estarei aqui olhando os carros”, relata, entre risos.
Com tanto tempo no mesmo ponto, “Negão”, como Marco Antônio é conhecido, conquistou a confiança dos motoristas. “Vem gente até de Sorocaba me procurar, dizendo que me indicaram e que era para procurar uma vaga comigo. Quando não tem vaga disponível, eles estacionam na frente de garagem e quando pinta um espacinho, eu mudo de local. Para mim, é um orgulho e muito satisfatório, já que a maior parte das pessoas que olham carro não tem essa credibilidade. Aqui fiz muitos amigos”, diz.
Dependendo do dia, o guardador cuida de até 200 carros, sempre atento para evitar qualquer surpresa. “Já peguei gente mexendo nas maçanetas dos carros. Como sei quem é o dono, chego e falo que o carro não é dele. Quando a pessoa me vê, pede desculpa e diz que se enganou. Não podemos acusar, chamar de ladrão. As pessoas boas não vem com estrelinha na testa. Se a pessoa percebe que estou de olho, logo vai embora”, explica.
Com o que ganha, Marco Antônio consegue sustentar a casa. “Não posso reclamar. Tenho uma clientela boa. Consigo pagar minhas contas e sustentar a casa. Aqui ganho até presentes. No natal, a turma me trás panetone. Ganho uma caixinha a mais. No meu aniversário, trazem presentes. Já fui presenteado até com perfume”.
Confiança de anos
Sempre que vem ao centro, José Carlos Fioravante deixa seu carro na rua em que Marco Antônio cuida dos carros. Segundo Fioravante, essa confiança vem de anos. “Confio demais nele. Deixo a chave para ele manobrar, se for preciso. Não preciso retirar nada do carro. Deixo até a minha carteira. Nunca aconteceu nada. Ele é um rapaz tranquilo. Não boto fé nenhum outro, somente nele”, salienta.
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