terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

HÁBITO ANTIGO - Vereadores de Votorantim defendem compra de pizzas

Jornal Cruzeiro do Sul
Wilson Gonçalves Júnior

Três deles usaram a tribuna e criticaram reportagem do Cruzeiro do Sul 


Pedro Bertoloto usou cartaz para fazer protesto bem humorado - FÁBIO ROGÉRIO



Três vereadores de Votorantim usaram a tribuna, na sessão ordinária de ontem, para defender a legalidade das pizzas servidas após os trabalhos no Legislativo. Os parlamentares Eric Romero (PPS), Lê Baeza (PV) e Heber Almeida Martins (PDT) disseram que as pizzas são servidas há décadas na Câmara de Votorantim, sempre ao final das sessões ordinárias e que são destinadas aos vereadores e a funcionários que trabalham das 8h até à noite. Os parlamentares ainda criticaram a matéria publicada no jornal Cruzeiro do Sul, no dia 24 de janeiro, que trouxe a informação de que os vereadores de Votorantim gastaram em nove meses (fevereiro a outubro do ano passado) a quantia de R$ 8.041,50 em pizzas e calzones (pizza fechada), com um gasto médio por sessão de R$ 206,19.

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE/SP) publicou ontem em seu site, na "Consulta de despesas" da Câmara dos Vereadores de Votorantim, o mês de dezembro todo. Os dados contidos lá, foco da primeira matéria, referia-se até novembro, com gastos até outubro. Ontem, outras duas sessões, que entraram no mês de dezembro foram lançadas. Na sessão do dia 4 de novembro, os vereadores gastaram mais R$ 196,40 com pizzas; enquanto que na sessão do dia 11 de novembro, o valor chegou a R$ 227,40. Com esses dois valores a mais, o custo chega agora a R$ 8.465,30 em pizzas, com sessões de fevereiro a novembro - faltam ainda os dados das outras sessões de novembro (dia 18 e 25) e as de dezembro para completar o total.

O presidente da Câmara, o vereador Heber Almeida Martins subiu a tribuna, na palavra livre, para ler uma carta escrita por ele em resposta à matéria das pizzas. Heber argumentou que as críticas devem ter motivos políticos e pessoais, ao citar ainda que "nem Jesus Cristo, pai eterno e bem intencionado agradou a todos."

Martins disse que a alimentação dos funcionários, que entraram às 8h da manhã e estão trabalhando durante a sessão no período da noite, não foi criada agora e sempre existiu no Legislativo. "Apenas demos sequência naquilo que legalmente é permitido por lei e entendemos ser justo a esses servidores. Eles são trabalhadores como qualquer outro e se preferem pizza, lanche ou salgadinho é opção deles."

O vereador Eric Romero disse que se fosse uma tábua de frios, como é servido em outras câmaras do país, não teria problema e o assunto foi gerado apenas por ser tratar de pizza. Romero disse que o nome da cidade, por causa do caso das pizzas, virou chacota e que é inaceitável um fato como esse. "Eu não posso aceitar um comentário como esse."

O vereador Lê Baeza disse que estava usando a tribuna para se defender. Ele justificou a necessidade das pizzas pelo trabalho desenvolvido por ele, ao dizer que sai cedo de casa, por volta das 9h e emenda direto na sessões, trabalhando seguidamente até 23h. "Quando você entra numa empresa você fica todo esse tempo sem comer? Todo mundo que faz hora extra tem que comer, senão não para em pé."

A reportagem não viu na sessão de ontem nenhum motoboy de pizzarias entregar pizzas na Câmara de Vereadores de Votorantim. Há informação até de que a rodada de pizza nem aconteceu.

Único

O munícipe Pedro Bertolotto foi o único a comparecer no Legislativo ontem para criticar o episódio das pizzas. Ele segurava uma faixa com os seguintes dizeres: Companheiro, quero comer pizza. Tô pagando." Ele foi acusado pelo vereador Heber Almeida Martins de ser funcionário comissionado da Prefeitura de Votorantim. Bertolotto disse ao jornal Cruzeiro do Sul que não possui cargos na prefeitura e confirmou que é um apoiador do PSDB em Votorantim. "Criaram o vale-pizza aqui em Votorantim. Deviam devolver esse dinheiro para o Executivo para investir na cidade", criticou.

Aprovado
Foi aprovado por 6 votos a 5, o projeto de lei do vereador Heber Almeida Martins que obriga a Prefeitura de Votorantim a divulgar a lista de espera dos munícipes cadastrados nos programas habitacionais. Foram contrários os vereadores Fabíola Alves da Silva Pedrico (PSDB), Robson Vasco (PSDB), Bruno Martins (PSDB), Pastor Tonhão (PSDB) e João Cau (PSC).

Discussão

O caso da concessão de serviços de água e esgoto para iniciativa privada, ocorrida no governo do prefeito Carlos Augusto Pivetta (PT), e a extinção do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), feita no governo do atual prefeito Erinaldo Alves da Silva (PSDB), gerou uma discussão entre a vereadora Fabíola Alves da Silva Pedrico e o vereador Heber Almeida Martins.

Fabíola pediu que o presidente interferisse na fala do vereador Marcão Papeleiro (PT), ao dizer que ele tinha fugido do assunto.

Heber disse que o vereador Bruno Martins causou a situação, ao criticar nominalmente outros vereadores na tribuna. O clima esquentou. "No grito você não vai ganhar não vereadora. Se tenha no seu lugar, faça o favor", disse Heber. "Você não é melhor do que ninguém", rebateu Fabíola.

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