Jornal Cruzeiro do Sul
Wilson Gonçalves Júnior
Três deles usaram a tribuna e criticaram reportagem do Cruzeiro do Sul
Pedro Bertoloto usou cartaz para fazer protesto bem humorado - FÁBIO ROGÉRIO
Três vereadores de Votorantim usaram a
tribuna, na sessão ordinária de ontem, para defender a legalidade das
pizzas servidas após os trabalhos no Legislativo. Os parlamentares Eric
Romero (PPS), Lê Baeza (PV) e Heber Almeida Martins (PDT) disseram que
as pizzas são servidas há décadas na Câmara de Votorantim, sempre ao
final das sessões ordinárias e que são destinadas aos vereadores e a
funcionários que trabalham das 8h até à noite. Os parlamentares ainda
criticaram a matéria publicada no jornal Cruzeiro do Sul, no dia 24 de
janeiro, que trouxe a informação de que os vereadores de Votorantim
gastaram em nove meses (fevereiro a outubro do ano passado) a quantia de
R$ 8.041,50 em pizzas e calzones (pizza fechada), com um gasto médio
por sessão de R$ 206,19.
O Tribunal de Contas do Estado de
São Paulo (TCE/SP) publicou ontem em seu site, na "Consulta de despesas"
da Câmara dos Vereadores de Votorantim, o mês de dezembro todo. Os
dados contidos lá, foco da primeira matéria, referia-se até novembro,
com gastos até outubro. Ontem, outras duas sessões, que entraram no mês
de dezembro foram lançadas. Na sessão do dia 4 de novembro, os
vereadores gastaram mais R$ 196,40 com pizzas; enquanto que na sessão do
dia 11 de novembro, o valor chegou a R$ 227,40. Com esses dois valores a
mais, o custo chega agora a R$ 8.465,30 em pizzas, com sessões de
fevereiro a novembro - faltam ainda os dados das outras sessões de
novembro (dia 18 e 25) e as de dezembro para completar o total.
O presidente da Câmara, o vereador Heber Almeida Martins subiu a
tribuna, na palavra livre, para ler uma carta escrita por ele em
resposta à matéria das pizzas. Heber argumentou que as críticas devem
ter motivos políticos e pessoais, ao citar ainda que "nem Jesus Cristo,
pai eterno e bem intencionado agradou a todos."
Martins disse
que a alimentação dos funcionários, que entraram às 8h da manhã e estão
trabalhando durante a sessão no período da noite, não foi criada agora e
sempre existiu no Legislativo. "Apenas demos sequência naquilo que
legalmente é permitido por lei e entendemos ser justo a esses
servidores. Eles são trabalhadores como qualquer outro e se preferem
pizza, lanche ou salgadinho é opção deles."
O vereador Eric
Romero disse que se fosse uma tábua de frios, como é servido em outras
câmaras do país, não teria problema e o assunto foi gerado apenas por
ser tratar de pizza. Romero disse que o nome da cidade, por causa do
caso das pizzas, virou chacota e que é inaceitável um fato como esse.
"Eu não posso aceitar um comentário como esse."
O vereador Lê
Baeza disse que estava usando a tribuna para se defender. Ele
justificou a necessidade das pizzas pelo trabalho desenvolvido por ele,
ao dizer que sai cedo de casa, por volta das 9h e emenda direto na
sessões, trabalhando seguidamente até 23h. "Quando você entra numa
empresa você fica todo esse tempo sem comer? Todo mundo que faz hora
extra tem que comer, senão não para em pé."
A reportagem não
viu na sessão de ontem nenhum motoboy de pizzarias entregar pizzas na
Câmara de Vereadores de Votorantim. Há informação até de que a rodada de
pizza nem aconteceu.
Único
O
munícipe Pedro Bertolotto foi o único a comparecer no Legislativo ontem
para criticar o episódio das pizzas. Ele segurava uma faixa com os
seguintes dizeres: Companheiro, quero comer pizza. Tô pagando." Ele foi
acusado pelo vereador Heber Almeida Martins de ser funcionário
comissionado da Prefeitura de Votorantim. Bertolotto disse ao jornal
Cruzeiro do Sul que não possui cargos na prefeitura e confirmou que é um
apoiador do PSDB em Votorantim. "Criaram o vale-pizza aqui em
Votorantim. Deviam devolver esse dinheiro para o Executivo para investir
na cidade", criticou.
Aprovado
Foi aprovado por 6 votos a 5, o projeto de lei do vereador Heber Almeida
Martins que obriga a Prefeitura de Votorantim a divulgar a lista de
espera dos munícipes cadastrados nos programas habitacionais. Foram
contrários os vereadores Fabíola Alves da Silva Pedrico (PSDB), Robson
Vasco (PSDB), Bruno Martins (PSDB), Pastor Tonhão (PSDB) e João Cau
(PSC).
Discussão
O caso da
concessão de serviços de água e esgoto para iniciativa privada, ocorrida
no governo do prefeito Carlos Augusto Pivetta (PT), e a extinção do
Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), feita no governo do atual
prefeito Erinaldo Alves da Silva (PSDB), gerou uma discussão entre a
vereadora Fabíola Alves da Silva Pedrico e o vereador Heber Almeida
Martins.
Fabíola pediu que o presidente interferisse na fala
do vereador Marcão Papeleiro (PT), ao dizer que ele tinha fugido do
assunto.
Heber disse que o vereador Bruno Martins causou a
situação, ao criticar nominalmente outros vereadores na tribuna. O clima
esquentou. "No grito você não vai ganhar não vereadora. Se tenha no seu
lugar, faça o favor", disse Heber. "Você não é melhor do que ninguém",
rebateu Fabíola.


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