terça-feira, 15 de maio de 2018

Hospital troca crianças na maternidade e o erro só é reparado 7 meses depois

Redação iBahia

Falha gerou processo por danos morais e a indenização pode chegar a R$ 200 mil

Foto: Reprodução

Erro de funcionária do Hospital Municipal de Votorantim, localizado no interior de São Paulo, mudou completamente a vida de duas famílias. Há quase 14 anos, Rita Ribeiro da Silva deu à luz a Vitor, mas acabou levando para casa outra criança, o Giuliano. A troca de bebês durou sete meses até o hospital confirmar o erro.

Rita Ribeiro e a ex-catadora de lixo reciclável, Luciana, deram entrada no mesmo dia no hospital. Em entrevista ao UOL, Rita explicou que percebeu algo estranho quando viu o seu bebê no quarto do hospital. "A enfermeira trouxe o Giuliano como sendo meu filho e o colocou no berço. Achei estranho porque ele era branco e gordinho e não parecia a criança que eu tinha visto na sala do parto", contou.

No momento do encontro com o suposto filho, uma moça pegou o bebê no colo e percebeu que o nome da mãe na pulseirinha era Luciana. Ao questionar a enfermeira de plantão, Rita obteve a resposta de que por engano os berços tinham sido trocados, mas que ela podia ficar tranquila que era seu filho mesmo.

As mães se encontraram durante o internamento no hospital e Rita desconfiou da semelhança do seu suposto filho com Luciana, mas a outra mãe garantiu que a criança que tava com ela tinha uma marca de nascença da família. Após receber alta, as crianças foram levadas para casa ainda trocadas.

A pele clara de Giuliano deixou o marido de Rita, que é negro, desconfiado de sua fidelidade. Os dois se separaram e ela teve que criar a criança e duas outras filhas sozinha. Depois de sete meses, uma funcionária do hospital entrou em contato com as duas famílias. "A história da troca dos berços havia se espalhado e eles queriam esclarecer o caso. Fizemos dois testes de DNA e só ficamos sabendo do resultado quatro meses depois, quando as crianças tinham sete meses", explicou Rita.

No início, as duas famílias tentaram permanecer próximas para lidar melhor com o desligamento afetivo. O caso foi parar na justiça. "Fizemos um acordo com o juiz e a Luciana morou na minha casa com Vitor por 30 dias. O combinado era que ela cuidasse do Giuliano e eu do Vitor, mas a experiência não deu certo, porque ela não cuidou do menino".

O processo de adaptação de Luciana e Giuliano não deu certo e ela decidiu abrir mão da criança. Rita adotou o filho da ex-catadora de lixo definitivamente em 2005. Atualmente, ela cuida das duas filhas mais velhas, do Vitor, do Giuliano e filha mais nova, fruto da reconciliação de Rita com o marido. O hospital deve indenizar a família por danos morais com valor de quase R$ 200 mil.

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