sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Grupo passou a usar app para roubar motoristas

Jornal Cruzeiro do Sul


Rastreamento permitiu obter a foto de um dos assaltantes - FILIPE ARAÚJO / FOTOS PÚBLICAS / ARQUIVO

O grupo especializado em roubos a motoristas que operam por aplicativos teve dois de seus integrantes presos na terça-feira e segundo informações do delegado André Moron, os bandidos, além de utilizarem armas de fogo, agiam com violência durante os crimes. A Polícia Civil conseguiu identificar três membros da quadrilha, mas um segue foragido. Segundo Moron, as investigações apontam que mais pessoas estão envolvidas nos roubos.

De acordo com o delegado, o grupo agia desde outubro e teria feito ao menos 20 vítimas somente na área no 4º Distrito Policial, na zona oeste. A policia não descarta vítimas em outras regiões e até mesmo em cidades próximas, como Itu, Votorantim e Alumínio. As detenções foram na Vila Barão e em Aparecidinha e os dois homens foram indiciados e encaminhados ao Centro de Detenção Provisória (CDP). A pena para os crimes chega a 30 anos de prisão.

Segundo o delegado, a quadrilha atuava no entorno de casas noturnas na região central e no Jardim Iguatemi. Eles esperavam na porta dos estabelecimentos, sempre à noite ou de madrugada e quando viam pessoas desembarcando dos carros abordavam os motoristas e falavam que tinham interesse em fazer uma corrida, prometendo acionar o aplicativo no trajeto. Porém, após alguns minutos do início da viagem, o assalto era anunciado. Uma das vítimas, por conta de socos dados pelos bandidos, perdeu a visão.

Medo

Dois homens que foram vítimas da quadrilha estiveram ontem no distrito e contaram que seguem trabalhando com os aplicativos, mas temem serem vítimas novamente de ações criminosas. Um deles, de 46 anos, contou que em dezembro, no início da madrugada, finalizou uma viagem com três passageiros que desembarcaram em uma casa noturna ao lado do terminal Santo Antônio e foi abordado por dois rapazes que solicitaram uma corrida para a Vila Barão. "Pareciam passageiros normais. Falaram para eu começar a viagem e acionariam o aplicativo de dentro do carro para ser mais rápido. Foram conversando comigo tranquilamente", recorda.

A vítima conta que na avenida General Osório, sentido bairro, percebeu os homens fazendo sinais um para o outro e logo depois o que estava sentado no banco de trás mandou parar o carro e golpeou o motorista com uma chave de braço. O bandido que estava sentado no banco do passageiro sacou a arma e pegou R$ 380. "Eu estava trabalhando há mais de 12 horas. Era o dinheiro que tinha faturado no dia. Eu pedi para eles deixarem o celular, mas me chamaram de vagabundo, levaram o aparelho e deram um soco na minha cara, que destruiu o meu óculos também", conta.

O outro motorista foi vítima da quadrilha em fevereiro. Três indivíduos o assaltaram e dessa vez acionaram a viagem utilizando um aparelho de celular. "Eu estava encerrando o expediente por volta das 23h e apareceu uma viagem na Vila Barão, como era no meu caminho, eu aceitei", conta o homem de 37 anos. Ao chegar ao destino, no Jardim Simus, os homens falaram que iam buscar uma amiga e pediram para que parasse o carro. Nesse momento o motorista recebeu uma chave de braço e uma arma de fogo foi mostrada. Além do celular e R$ 140, o grupo levou o veículo, que foi encontrado no dia seguinte.

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