Notícia publicada na edição de 16/04/2011 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 002 do caderno C
Helena Gozzano
Espetáculo de flamenco faz homenagem a um dos maiores artistas espanhóis, Miguel de Molina
Quando um professor do curso de Artes Plásticas que frequentava pediu aos alunos que fizessem um trabalho com o tema "Corpo", o aluno André Pimentel não imaginava que isso seria tão marcante em sua vida.
O trabalho era em grupo e uma amiga sugeriu que, dentro do tema, fizessem um trabalho a respeito de dança. E foram assistir a uma aula de Flamenco, um estilo de dança espanhola. Foi paixão, amor à primeira vista. André tinha entre 19 e 20 anos. Hoje, aos 37 anos, mantém a paixão acesa, mas juntou a ela muito estudo, técnica e conhecimento.
Para quem quiser assistir de perto essa paixão, que evidentemente não é só de André, poderá conferir o espetáculo de flamenco "Ojos Verdes", que o grupo Atelier Flamenco, de São Paulo, apresenta no próximo dia 30 de abril (sábado) no auditório Francisco Beranger, em Votorantim. O evento é beneficente, em prol do Instituto Sistemas Humanos que, além de formar terapeutas, atende gratuitamente famílias e casais que necessitam de processo terapêutico.
André concedeu entrevista ao Mais Cruzeiro e contou mais. Sua veia artística manifestou-se na infância com o gosto pelo aprendizado de música. O piano foi o instrumento escolhido, por ele e pela irmã. Ela pendia para o clássico; ele queria alguma coisa mais barulhenta e chegou a se aventurar por canções da Espanha. Por isso, anos depois, ao encontrar-se com a cultura espanhola, se identificou muito. Hoje, tocar piano transformou-se apenas em hobby.
E a ascendência, é espanhola? "Não é, sou descendente de italianos e portugueses", conta André.
O encontro com o Flamenco se fortaleceu ainda mais quando conheceu Carlos Lara, com quem montou o Atelier Flamenco. É Carlos quem cuida de cenário, figurino, luzes e colabora com André nas pesquisas que são necessárias para a montagem do espetáculo.
No caso de "Ojos Verdes", a pesquisa durou quase um ano. E incluiu muita leitura e até uma viagem a Espanha e outra a Buenos Aires. Buenos Aires? Sim, acontece que o espetáculo faz homenagem a um dos maiores artistas espanhóis - Miguel de Molina - contando sobre toda a sua trajetória na Espanha. E na capital da Argentina, onde viveu muito tempo, exilado que foi por posicionamentos políticos e por ser homossexual. "Quando montamos o espetáculo, além da arte e da emoção que vem com ela, também queremos transmitir algum ensinamento, a cultura relacionada ao tema", explica Carlos.
O primeiro passo para a montagem de "Ojos Verdes" veio do sentido da visão, Carlos pesquisava na internet quando se deparou com uma foto de Miguel de Molina (veja abaixo). De fato, é "a" foto. Um retrato em branco e preto, que diz muito. Inclusive, mostra alguma semelhança de Miguel com André, quem diria. Carlos mostrou a foto para André e pronto. Até o cartaz sobre o espetáculo já estava criado, incluindo a tal fotografia.
E a pesquisa começou. "Ojos Verdes" é, portanto, biográfico e começa contando de quando Miguel de Molina (nascido em Málaga em 10 de abril de 1908) viajou de navio da Espanha para Buenos Aires, sozinho e pobre. Foi com cerca de 22 anos que passou a dedicar-se à arte. Anos depois, por envolver-se em questões políticas, foi torturado e exilado de seu país, em 1942. Aí começa o espetáculo do Atelier Flamenco, abrindo-se espaço para as memórias do artista; 90% das canções de fundo para a dança são apresentadas na voz do próprio Miguel, que além de dançarino e cantor, foi também poeta, figurinista e ator.
E no cenário, um telão com muitas cenas reais da vida dele. "Apesar dessa vida difícil que Miguel levou lutando pelos seus direitos e para mostrar seus talentos, não é um espetáculo triste, foge daquela coisa "trágica" do flamenco", explica André.
Ele conta ainda que somente em 1992 o governo da Espanha reconhece o valor de Miguel de Molina, oferecendo-lhe uma comenda por sua contribuição pessoal ao mundo da arte na Espanha. No ano seguinte, Miguel morre. Em Buenos Aires, com 84 anos.
Em 2009, seu vestuário rico e original, a maior parte por ele mesmo desenhado, foi objeto de uma exposição montada por um sobrinho seu, em Madri. Também em Buenos Aires se reúne um grande acervo com cartazes, roupas e peças originais do artista.
André e Carlos explicam que essa vida intensa entre a Espanha e a Argentina enriquecerem a obra de Miguel, o rei da Copla (estilo de música espanhola, mais ou menos equivalente a MPB no Brasil). Flamenco e tango se visitaram em sua obra, mas com a prevalência do estilo espanhol. "Ojos Verdes" homenageia ainda Carmem Amaya, Evita e Garcia Lorca, que de um jeito ou outro, fizeram parte da vida de Miguel. E é com um depoimento do artista que o espetáculo se encerra. Prepare-se. Pode ser emocionante.
Serviço:
"Ojos Verdes", com o Grupo Atelier Flamenco
Data: 30 de abril, às 20h
Local: Auditório Francisco Beranger, em Votorantim
Ingressos: R$ 30,00 e R$ 20,00 (para pessoas acima de 60 anos, professores e estudantes da rede pública, alunos e ex-alunos do Instituto Sistemas Humanos)
Vendas antecipadas (não serão vendidos ingressos no local) pelos telefones (15) 3227-6491, 3318-0316 ou 9772-8610
Mais informações sobre a companhia que traz o espetáculo: http://www.atelierflamenco.com.br
Mais informações sobre a companhia que traz o espetáculo: http://www.atelierflamenco.com.br


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