Ana Cláudia Martins e José Antonio Rosa
Os cerca de 2,6 mil servidores públicos municipais de Votorantim ameaçam entrar em greve a partir desta quarta-feira (25). A reunião mantida no final da tarde de ontem no gabinete do prefeito Fernando de Oliveira (DEM) não serviu para que as partes chegassem a um acordo.
A categoria reivindica reajuste salarial de 10% e, no mínimo, o mesmo porcentual para o tíquete-alimentação. O Prefeitura, porém, ofereceu 2,68% nos salários e 10% (ante os 7,44% oferecidos inicialmente) no valor do vale-alimentação. Essa proposta não contemplou a expectativa do sindicato dos trabalhadores que já se mantinham em estado de greve, mas ainda esperavam um outro desfecho para o impasse. Hoje, às 9h, a entidade realiza assembleia em frente à Câmara Municipal.
Na manhã desta terça (24), em sessão bastante tumultuada e com princípio de confusão, a votação do projeto de lei do Executivo, que concede reajuste de 2,68% nos salários e de 7,44% no valor do vale-alimentação, acabou adiada para a próxima quarta-feira (2). Houve tumulto. Algumas pessoas que estavam na galeria da Câmara de Vereadores quebraram os vidros que separam os dois ambientes.
Funcionárias varrem os cacos de vidro no chão: a sessão da Câmara foi suspensa - FÁBIO ROGÉRIO
Os guardas civis municipais que estavam na Casa foram acionados para conter a confusão. Ninguém ficou ferido. Com isso, a sessão foi suspensa por uma hora e assim que os vereadores retornaram ao plenário, o presidente da Mesa, Bruno Martins de Almeida (PSDB), decidiu encerrar os trabalhos por medida de segurança.
Segundo ele, o projeto de lei foi retirado da pauta a pedido do prefeito Fernando de Oliveira (DEM), seu autor. Martins disse que o prefeito pediu o adiamento da votação para que a Prefeitura retome as negociações com o Sindicato dos Servidores Público, o que acabou não dando resultado.
O presidente do sindicato, Sílvio Cavalheiro, disse que o adiamento da votação do projeto de lei não afeta os trabalhadores porque a negociação tem de ser feita com o prefeito.
Para Sílvio, "agora só depende do prefeito apresentar uma nova proposta para o sindicato e a gente levar para a categoria. Se for aprovada a greve está suspensa", disse.
Foram protocolados os avisos do início da greve tanto na Prefeitura de Votorantim quanto no fórum, 72 horas antes, conforme determina a legislação. "Os trâmites legais foram feitos e vamos pensar na estratégia de greve respeitando os limites legais para os serviços essenciais (que é de 30% do total de servidores)."
Já o vereador Heber Martins (PDT) atribuiu o ocorrido ao que chamou de "falta de experiência" tanto do Executivo quanto do Legislativo. "Teria como ter contornado a situação, pois o sindicato já havia sinalizado a greve e tentado conversar com o prefeito, que esperou de última hora aglomerar toda a multidão, logicamente com revolta, porque tinha proposto uma coisa e não concluiu e deu no que deu, sendo que a situação dos servidores municipais está complicada", declarou. Segundo o sindicato foram mantidas três reuniões com secretários municipais, que teriam feito propostas, que tiveram os valores revistos. Uma delas concedia 3,5% de aumento ao funcionalismo, o que não foi mantido.

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